sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Scream – Let It Scream (1991):



Por Davi Pascale

Formado por músicos respeitados na cena, o Scream durou um único álbum e deixou saudades. Álbum trazia um hard rock pesado, contagiante e altamente inspirado.

Atendo hoje um pedido de nossos leitores para comentar sobre o álbum do Scream. Um trabalho de altíssima qualidade que ficou meio que perdido, já que a banda nunca atingiu a fama de fato. Aliás, esse é o único álbum deles.

A banda pode não ter se tornado um grande nome, mas seus integrantes são famosos entre aqueles que acompanham a cena hard/heavy de perto. John Corabi chegou a assumir os vocais do Motley Crue por um tempo, o guitarrista Bruce Boillet e o baixista John Alderete fizeram parte do cultuado Racer X. Somente Walt Woodward III que é mais desconhecido, mas se levarmos em conta que ele entrou na banda substituindo Scott Travis, que largou os rapazes para se juntar ao Judas Priest, já dá para sacar que talento o cara tem de sobra, certo? Scott Travis é um monstro e os caras não iriam pegar qualquer zé mané para substituir o cara...

O lineup estava mais do que correto, o repertório é matador. A produção é certeira. Afinal, o trabalho foi produzido pelo ‘macaco velho’ Eddie Kramer. Em seu currículo, estão nomes como Alice Cooper, Kiss e Jimi Hendrix. Para quem faz um som mais puxado para o hard, esse cara é meio que o produtor dos sonhos.

1991 foi um bom ano para o hard rock. Foi o ano em que vimos lançamentos do porte de Use Your Illusion (Guns n Roses), Slave To The Grind (Skid Row), Ceremony (The Cult), Psychotic Supper (Tesla), Hungry (XYZ), Dangerous Curves (Lita Ford), Lean Into It (Mr. Big), A Little Ain´t Enough (David Lee Roth), somente para citar alguns. Foi no meio desse cenário que veio o Scream.

Ainda estava na moda aquelas bandas que faziam um som mais comercial, com cabelos volumosos e visuais espalhafatosos. Nos USA, eram tratados como hair metal. No Brasil, eram ridicularizados com o termo rock farofa. Nossos críticos não compreendiam o lado festeiro dos garotos. De todo modo, o Scream fazia um som mais pesado.

Há os momentos mais festivos, mas não chegam a ser tão comerciais quanto o Poison. “Give It Up”, “Every Inch a Woman” e o single “I Believe In Me” são as que melhor resgatam esse clima de festa, sendo que “I Believe In  Me” é minha favorita, me remetendo ao (ótimo) Cinderella.

Quem conhece o Union, ótima banda que John Corabi montou junto com o guitarrista Bruce Kulick (Kiss), após sua saída do Motley, já ouviu “Man In The Moon”, um hard rock cativante com uma pegada meia Lynch Mob. Outra que me remete ao grupo de George Lynch é a porrada “I Don´t Cry”. Sempre que escuto a intro desse som me recordo de “Street Fightin´ Man” (Wicked Sensation) por alguma razão.

As bandas de hard rock desse período costumavam fazer baladas inspiradas em levada country. Aqui, não é diferente e podemos notar a influencia em “Father, Mother, Son”. A pegada mais blues aparece na acústica “Never Loved Her Anyway” que remete um pouco ao Tesla quando se aventuravam nesse universo voz/violão. Quem já ouviu Five Man Acoustic Jam vai me entender.

Outros grandes destaques ficam por conta de “Loves Got a Hold On Me” com sua influência stones, “Catch Me If You Can”, com um trabalho de guitarra àla Van Halen e a balada “You Are All I Need” que traz o talentosíssimo Ray Gillen (Badlands) nos backing vocals.

Trabalho de guitarra é matador, trabalho vocal é matador (aliás, John Corabi, para mim, é um dos melhores vocalistas de rock da atualidade) e repertório, como disse, é fantástico. Para quem curte hard rock, audição obrigatória.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Outlaw
      02)   I Believe In Me
      03)   Man In The Moon
      04)   Father, Mother, Son
      05)   Give It Up
      06)   Never Loved Her Anyway
      07)   Tell Me Why
      08)   Loves Got a Hold On Me
      09)   I Don´t Cry
      10)   Every Inch a Woman
      11)   You Are All I Need
      12)   Catch Me If You Can

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

The Cult – Electric Peace(2016):



Por Davi Pascale

Álbum clássico do Cult é relançado em edição dupla.  Reedição traz as 2 versões do disco e é um ítem indispensável na coleção dos fãs.

Quando o The Cult começou a preparar o sucessor do bem sucedido Love, de imediato pensaram em trabalhar com o mesmo produtor, Steve Brown. Por alguma razão, os músicos não ficaram satisfeitos com o resultado final. Demitiram Steve, contrataram Rick Rubin e regravaram todo o material. Essa versão que chega agora nas lojas trazem as 2 edições. A de Steve e a de Rick.

Aposto que você deve estar se questionando, mas há muita diferença nas versões? Tem musica que não entrou no disco que conhecemos? Ou são as mesmas musicas com uma guitarra mais alta aqui, um fadeout diferente ali...? Sim, há muitas diferenças e é justamente isso que torna o material tão intrigante.

Se fosse uma dessas edições remasterizadas com algumas faixas acústicas, remixes e ao vivo, já seria bem interessante, já que esse LP é um clássico. A fase de ouro deles é justamente a que vai do Love ao Sonic Temple. Eu, particularmente, acho o Ceremony tão bom quanto, mas tem alguns fãs que, sei lá por qual razão, não gostam do disco. Pois bem... O Electric é o sucessor do Love e é o disco que tem um de seus maiores sucessos, “Love Removal Machine”.

O CD 1 é exatamente o LP da época. Que é a versão produzida pelo Rick Rubin. O disco está remasterizado. Achei o áudio bom, mas vi gente comentando que não viu muita diferença da outra edição em CD. Isso não vou saber comentar porque só tinha ele em vinil, que comprei na época.

O segundo disco é a versão não lançada. E, cara, é mortal. Os tempos das músicas são diferentes, a mixagem é outra, os arranjos são outros. Uma coisa que notei é que a maioria das músicas eram mais longas. Varias musicas entre 5 ou 6 minutos. As primeiras, as hoje clássicas, “Love Removal Machine”, “Wild Flower” e “Peace Dog”, notei que tinham uma sonoridade mais próxima à do segundo LP. Com aquelas guitarras meio U2, com uma onda parecida em que fizeram em “Rain” ou “She Sells Sanctuary”. A que mais me chamou atenção, contudo, foi “Electric Ocean”. A musica era mais cadenciada, os riffs eram mais impactantes. Honestamente, achei melhor do que a versão final.

Como se não bastasse, 4 musicas da primeira versão dançaram e elas estão aqui. E, sim, as musicas são boas. “Zap City” se lançada na época poderia ter se tornado um clássico do grupo, embora eu concorde que esteja mais próxima de “She Sells Sanctuary” do que de “Wild Flower”. Outro grande destaque é o rock “Groove Co”. Preferia que tivessem colocado ela do que o cover de “Born To Be Wild” (Steppenwolf).

O único senão é que o encarte não traz nenhuma informação extra, não tem entrevistas dos caras comentando sobre as gravações, o porquê não haviam curtido (o disco já era bom), tem apenas as letras. De todo modo, o CD é indispensável na coleção dos fãs. Mesmo quem já tem a edição anterior, vale a pena pegar essa e vender a antiga, se for o caso.  Sério mesmo...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Indispensável

Faixas:

CD 1:
      01)   Wild Flower
      02)   Peace Dog
      03)   Li´l Devil
      04)   Aphrodisiac Jacket
      05)   Electric Ocean
      06)   Bad Fun
      07)   King Contrary Man
      08)   Love Removal Machine  
      09)   Born To Be Wild
      10)   Outlaw
      11)   Memphis Hip Shake

CD 2:
      01)   Love Removal Machine
      02)   Wild Fower
      03)   Peace Dog
      04)   Aphrodisiac Jacket
      05)   Electric Ocean
      06)   Bad Fun
      07)   Conquistador
      08)   Zap City
      09)   Love Trooper
      10)   Outlaw 
      11)   Groove Co.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Melissa Etheridge – Memphis Rock And Soul (2016):



Por Davi Pascale

Cantora homenageia lendário selo norte-americano em seu novo álbum. Disco surpreende pela qualidade dos arranjos e coloca de novo a artista no eixo. Indispensável!

Seu ultimo disco de inéditas, (o bom) This Is M.E., trazia Melissa se aventurando em novos territórios, um álbum bem feito, mas longe do seu poder de fogo. Em Memphis Rock And Soul a artista volta a reinar. Longe das modernidades, do pop radiofônico, Melissa entra de cabeça no universo da soul music e o resultado não tinha como ser melhor.

Ela é a artista certa para fazer esse tipo de álbum. Tem um puta alcance, uma puta afinação, canta com alma e tem um timbre rasgado, forte. Quem duvidar, entre no Youtube e assista a performance de Melissa no Grammy de 2005, onde dividiu o palco com Joss Stone em um tributo à Janis Joplin. Ela acaba com a Joss, e olha que a menina tem uma bela voz. Ou então assista uma de suas performances voz/violão. De boa, a mulher canta muito.

Em seus álbuns mais famosos, Etheridge faz um rock n roll com uma forte influencia folk e uma certa influencia de blues. O lado blues aparece aqui em uma inspiradíssima versão de “Rock Me Baby”, clássico do bluesman B.B. King, e uma correta versão de “Born Under a Bad Sign”, muito conhecida na voz de Albert King. Entretanto, como já disse, a soul music é a tônica do disco.

O repertório do CD é baseado no selo Stax. O selo foi fundado na cidade de Memphis, em 1957, com o nome de Satellite Records e adotou o nome de Stax em 1961. A base do selo era a soul music, mas também lançavam material de artistas de blues, jazz, funk e gospel. Como o disco é uma homenagem ao selo, era de se esperar que uma ou outra música fugissem do universo da soul music.

Melissa Etheridge conseguiu um verdadeiro feito. Regravou clássicos do porte de “Hold On, I´m Coming” (Sam & Dave) e “I´ve Got Dreams to Remember” (Otis Redding) e conseguiu transformá-las em alguns dos grandes destaques do disco. E, meu amigo, fazer bonito cantando Otis Redding não é para qualquer um, não.

Outros grandes destaques ficaram por conta das animadas “Wait a Minute” – gostei mais da versão dela do que da versão da Barbara Stephens – e Memphis Train (Rufus Thomas), além da balada “Any Other Way” (William Bell).

A cantora foi esperta em não tentar emular esses cantores. Esse pessoal da soul music fazem parte daquele hall de artistas que são inimitáveis. Qualquer um que tentar copiá-los, soará caricato. Pelo contrário, cantou como ela mesma. O foda é que o estilo vocal e o timbre dela casam muito bem com esse universo.

Também deu uma modernizada nos arranjos, mas sem descaracterizar as canções. Calma, não há nada de elementos eletrônicos. Pelo contrário, som de banda total. O que fez foi explorar um pouco mais o lado dos metais, dos backings, assim como fizeram anos atrás na (ótima) trilha sonora dos Commitments. Belíssimo álbum!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Memphis Train
      02)   Respect Yourself (People Stand Up)
      03)   Who´s Making Love
      04)   Hold On, I´m Coming
      05)   I´ve Been Loving You Too Long (Too Stop Now)
      06)   Any Other Way
      07)   I´m A Lover
      08)   Rock Me Baby
      09)   I Forgot To Be Your Lover
      10)   Wait a Minute
      11)   Born Under a Bad Sign 
      12)   I´ve Got Dreams to Remember

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Kiss Expo Los Angeles


Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale, Jay Gilbert (fotos com Peter Criss – individual e com a turma da excursão), convidados da expo (foto minha com demais artistas. Valeu galera!)
Matéria publicada originalmente no site Consultoria do Rock
E lá fui eu para mais uma aventura atrás dos meus ídolos. Depois de conhecer pessoalmente Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer, Tommy Thayer e Bruce Kulick, chegava a minha vez de ficar cara a cara com Peter Criss, o primeiro baterista do Kiss.
A trajetória de Peter ficou marcada por uma jornada de excessos. Abuso de drogas, abuso de álcool, acidentes de carro… Ao que indica, esses dias de loucura ficaram para trás. Por mais de uma vez, o musico jurou estar sóbrio e longe das drogas há anos e disse ter vontade de voltar ao mundo da música. Segundo suas palavras, ocorrerá no momento certo porque ele quer voltar por cima.
Para ter a chance de conhecê-lo fui até a Kiss Expo, ocorrida na cidade de Los Angeles, durante três dias. Na sexta-feira, um grupo seleto de pessoas participaram de um meet & greet com o músico. Fui um dos felizardos. O encontro ocorreu em uma das salas do Raleigh Studios, muito conhecido entre os fãs do quarteto americano por ter sido o local onde ocorreram as polêmicas fotos que foram utilizadas na contracapa do, hoje clássico, Hotter Than Hell. Na época, foi realizada uma festa para os músicos recheada de drogas, bebidas e garotas. Até o Paul Stanley ficou louco (de álcool) no dia e acabou saindo carregado pelo Gene Simmons.
O encontro com os fãs foi dentro de um cinema. Os fãs sentaram em uma poltrona à sua escolha e esperaram pela entrada de Peter. Somente a primeira fila que era proibida porque estava reservada para alguns convidados. Esses convidados, eram nada mais, nada menos do que Steven Adler (Guns n Roses), John 5, Rob Zombie e Ginger Fish. Além de uma galera da produção do músico e do evento, é claro. Consegui ficar na terceira fileira. Ou seja, bem próximo. Por conta da aparição dos convidados ilustres, todos começaram a acreditar que Peter cantaria alguma musica. Na realidade, não. Os músicos foram lá pra cumprimenta-lo e acabaram interagindo junto com o baterista.
Poucos minutos depois do horário programado, o musico surgiu na sala. Notei logo que ele chegou com a equipe do evento, assim que notou que estava olhando em sua direção, o musico abriu um sorriso e fez um ok para mim. A galera estava entretida no telão. Estava prestes a começar a exibição de um filme, mostrando alguns de seus melhores momentos, além dos depoimentos de diversos músicos que gravaram uma mensagem agradecendo-o pela inspiração. Entre eles; nomes como Mike Portnoy (Dream Theater), Kenny Aronoff, Steven Adler (Guns n Roses), entre tantos outros.
Assim que acabou o filme, Peter foi até o microfone, agradeceu a presença de todos e fez o tipo de uma mini palestra falando sobre o fato de ter vencido um câncer, sobre a indústria fonográfica, seus dias de rockstar e sua situação hoje. Agradeceu a presença e o apoio de sua esposa, Gigi. Embora seja muito criticada nos fóruns, a moça foi bem educada com os fãs em todos os dias de evento.
Assim que encerrou essa parte, o musico se dirigiu à uma nova sala para receber as pessoas. Entrava um a um na sala. O musico assinava os itens, tirava o retrato e, é claro, conversava um pouco…
– Vi você me olhando lá dentro, como você está?
– Verdade. Notei logo que você chegou. Estou bem, cara.
– De onde você é?
– Brasil.
– De que cidade?
– Estou morando agora em Santo Andre. Uma cidade pequena, mas nasci em São Paulo. Morei lá por 30 anos.
– Estive em São Paulo, acho que em 96, certo?
– 99, na verdade, fui no show. Ótimas recordações daquele dia.
– Verdade. Foi 99. Lembro da plateia. Era ótima. Grande e selvagem! Veio para os Estados Unidos por conta da Expo?
– Claro. Sou seu fã desde criança. Comecei na bateria tocando suas musicas.
– Fico feliz com isso. Ter esse tipo de influencia nas pessoas é muito bacana. Muito obrigado!
O músico assinou meus discos, me deu um abraço e tirou o retrato. Antes de sair, notei algumas peles de bateria empilhadas e perguntei para a esposa dele se estavam a venda.
– Sim, ele assina. Só que você tinha que ter falado antes.
– Ah.. É que vocês deixaram as peles no fundo da sala. Só vi agora.
– Tá. Então espera sair o próximo convidado que peço para ele assinar para você, ok?
– Claro!
Dito e feito. Peter assinou a pele e agradeceu, mais uma vez, a presença. Primeiro dia de expo, realmente bem bacana.
No dia seguinte, retornei ao Raleigh Studios. A Expo aconteceria lá dentro em um galpão que ficava de frente para a sala onde Peter havia nos recebido no dia anterior. O musico recebeu, mais uma vez, os fãs. Dessa vez, uma fila enorme. Fiquei na fila para poder assinar um vinil que havia comprado para dar de presente para o meu irmão.
Como a fila estava grande, antes de ir para a fila, fui dar uma volta na Expo. Nunca havia ido à uma. Bem montada, mas esperava um pouco mais de expositores. Bruce Kulick estava atencioso com o público, como de costume. Comentou do meu CD do Union – “Gosto muito desse disco” – e também de dois LP´s promos do Kiss que pedi para assinar. “Uau! Esse está com o OBI”, comentou ao pegar não mão o promo de “Who Wants To Be Lonely”, também comentou da capa do “Thrills In The Night”. “Olha que legal. Nesse, estava com minha guitarra azul”. Sim, o disco foi gravado com Mark St John (a faixa faz parte do Animalize), mas como o Bruce entrou no meio da turnê, o material promocional estampava a cara dele. E como meu disco estava assinado por Paul e Gene, não ia perder a chance de pegar a ultima assinatura que faltava. O baterista nessa época, era o Eric Carr, infelizmente, já falecido.
Os vendedores eram educados, mas não sei se ando comprando coisa demais, mas poucos itens à venda me chamaram a atenção de fato. Também tive a oportunidade de conhecer Tim Sullivan, produtor do filme Detroit Rock City.
– De onde você é?
– Do Brasil.
– Uau! Distância longa. Olha só! Você tem a edição em cardboard. Essa ficou rara.. Esse filme saiu no Brasil?
– Sim. Não em edição cardboard. Esse eu importei na época. Saiu na embalagem normal.
– Você está brincando que meu filme saiu no Brasil?
– Não. Chegou à ir até para as locadoras. As Blockbusters todas tinham
– Uau! Nunca imaginaria. Quer dizer que seu DVD saiu dos EUA, foi para o Brasil e agora, voltou para os EUA?
– Sim, e semana que vem, volta pro Brasil.
– Não deixe o Trump saber disso… (risos) Vou assinar para você…
Também tive a oportunidade de ficar cara a cara com David Donato, o vocalista do White Tiger (banda que Mark St John formou assim que saiu do Kiss). Ele ainda é conhecido por ter gravado esse disco e por ter feito um teste para o Black Sabbath. Nunca atingiu a fama, de fato. O rapaz não negou foto, nem autografo, mas se demonstrou ter se tornado uma pessoa um pouco amarga. Também foi o primeiro a abandonar a Expo. O cara saiu às 14h e não voltou mais. Todos os outros convidados ficaram até o fim do evento. Inclusive, o Peter.
Além das vendas e dos encontros, alguns convidados fizeram Q&A. No Kiss Kruise, essa parte era de perguntas e respostas. Na expo, foi igual ao lance do Peter. O cara subia e contava um pouco de sua historia para a galera e algumas curiosidades. Bruce Kulick, Tim Sullivan e “Big” John Harte foram os convidados do evento. As apresentações eram interessantes, mas curtas. Em torno de 40 minutos, cada.
Também teve a apresentação da banda Priss. Uma banda cover do Kiss formada por garotas. Nesse show, tinha um senhor na bateria, mas nos vídeos antigos era uma menina também. Provavelmente, tiveram algum contratempo. A banda estava bem entrosadinha. Na segunda apresentação, Bruce Kulick juntou-se ao palco para tocar 5 musicas juntos. Incrível o conhecimento e a habilidade que o cara tem no instrumento. Mesmo!
O resultado final foi positivo. A expo estava muito bem organizada. De quebra, ainda conheci Richie Scarlet e John 5. Topei com os caras do lado de fora da expo. No dia anterior, havia conhecido Rob Zombie. Dos convidados, da galera que gostaria de ter conhecido, só não deu tempo de chegar no Steven Adler.
Domingo era o ultimo dia. Mais uma vez, um evento para poucos convidados. E, mais uma vez, eu estava lá. Nos encontramos na calçada, do lado de fora do Raleigh Studios. Era o dia de fazer uma excursão de ônibus parando nos pontos relacionados ao Kiss, na cidade de Los Angeles. A curiosidade é que o guia da excursão era justamente o Peter Criss.
Durante o trajeto, Peter distraía a galera contando curiosidades sobre o local – “isso aqui era magico. Me encontrei aqui com David Bowie, Mick Jagger, Keith Richards… Fazíamos festas totalmente loucas” -, contava histórias sobre os seus dias do Kiss. “Me lembro na época da reunion, quando o Gene ligou para mim, dizendo ‘Peter. Achei que você gostaria de saber. Acabamos de esgotar 5 noites no Madison Square Garden’. Dizia ‘que legal, Gene’, mantendo  a pose. Quando desliguei o telefone, pulava em cima da cama como uma criança”, o musico arrancava risada da galera quando brincava imitando seus ex-parceiros Gene Simmons e Ace Frehley.
Nesse dia, não rolou foto individual, mas foram feitas algumas fotos junto com a galera da excursão. O ônibus parou na calçada da fama, na Music Center (que, coincidentemente, ficava de frente para o meu hotel) onde estavam as mãos dos caras do Kiss e algumas peças que pertenceram aos músicos, na Tower Records, além de ter passado em frente ao Sunset Studios, Casablanca Records, edifício da Playboy, Aquarius Theatre… Infelizmente, muitos lugares estavam fechados e muitos não existem mais. Então acabava valendo pelas histórias que Peter contava.
O musico também comentou sobre seus discos solo. “Amo meu ultimo disco. Sinto que muitas pessoas não o entenderam. Fiz aquele disco porque quis entregar algo diferente para vocês. Não queria voltar, depois de tantos anos, cantando a mesma coisa. Tem, inclusive, uma musica ali que escrevi pensando em vocês. ‘Faces In the Crowd’ fala sobre meus fãs. É que nem meu álbum de 78. Na época, todos eles estavam ouvindo somente Led Zeppelin. Não há nada de errado nisso, mas haviam outras coisas muito bacanas rolando. Foi isso que quis demonstrar naquele disco. Quem imaginaria ouvir um integrante do Kiss cantando ‘Tossin´ And Turnin´”?
Peter se demonstrou muito simpático nos três dias. Inclusive, ao final da excursão, já tinha um carro preparado para leva-lo embora, mas mesmo assim, ficou esperando que todas as pessoas descessem do ônibus. Cada um que descia, ele dava um abraço e agradecia a presença. Mesmo tendo sido avisados que não daria autógrafos no dia, teve um rapaz que arriscou quando desceu do ônibus e foi prontamente atendido. O musico assinou o LP no meio da calçada, sem nenhuma frescura. Também não se demonstrou incomodado quando foi reconhecido por um ônibus de excursão que estava passando na Tower Records, quando paramos para o retrato. Pelo contrário, o musico acenou a mão para o pessoal e trocou umas palavras com a galera.
Para quem é fã do Kiss ou do Peter Criss, a experiência realmente vale cada segundo. Nunca imaginaria que teria a oportunidade de passar por esse tipo de experiência e o cara fez valer todo o investimento. Experiência inesquecível.
OBS: Estava com ingresso reservado para assistir o Soulstation em Pasadena (banda de soul music liderada pelo Paul Stanley) e iria escrever sobre, mas infelizmente, o show acabou sendo adiado e tive que pegar meu dinheiro de volta.  Infelizmente, não foi dessa vez. Bem, agora é esperar pelo Ace Frehley em Março…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Trick Or Treat (1986):



Por Davi Pascale

Trago hoje uma curiosidade super bacana. Quem viveu os anos 80, irá se lembrar da moda que era o filme de terror entre os adolescentes. O sucesso era tanto que criaram na época um terror para adolescentes – o (bom) Garotos Perdidos – e começaram a mesclar elementos de terror em filmes de comedia e vice-versa. Um filme muito bacana é esse que comento hoje que mistura terror com rock n roll, o Trick Or Treat.

A mistura não era tão inusitada. É comum encontrarmos musicas de rock n roll em filmes do gênero. O grande barato aqui é que o rock é o tema central da historia. Além de contar com a participação especial de dois grandes ícones da cena. Os lendários Ozzy Osbourne e Gene Simmons.

Não precisa se preocupar. Os papéis deles são pequenos e não comprometem. Acaba sendo curioso, nos dias de hoje, relembrar o visual desses caras na época. A história gira em torno de um famoso cantor que morre durante um misterioso incêndio e um fã obcecado. Sami Curr fazia parte da cena shock rock. Ou seja, aqueles caras que fazem shows teatrais com atos, por vezes, chocantes. A ideia do diretor era de que Blackie Lawless (W.A.S.P.) fizesse esse papel, o que tornaria esse filme mais antológico ainda, mas o músico negou o papel.

Pois bem, no dia em que a notícia da morte foi dada, Eddie Weinbauer (Marc Price), um de seus maiores fãs, estava escrevendo uma carta para o músico. Desolado, o garoto busca conforto em “Nuke” (Gene Simmons), um radialista que conhecia o artista pessoalmente. Sabendo da paixão que o menino tinha pelo cantor, entrega um presente ao garoto. Um acetato com o que viria a ser o próximo disco do músico, Songs In The Key of Death. A única copia existente do material. O LP, obviamente, está amaldiçoado pelo espirito do musico. Os dois começam a conversar através do disco. Sami ajuda Eddie a se vingar dos valentões do colégio, ao mesmo tempo em que começa a matar alguns dos colegas. Atitude que faz com que o garoto se arrependa e tente voltar atrás. Como, obviamente, não consegue convencer o espirito à parar ou deixa-lo fora da jogada, o menino terá que encontrar uma maneira  de derrota-lo.

O filme brinca com todos os jargões da época. Com o fato dos roqueiros serem impopulares e tidos como esquisitos, a família que se preocupa com o conteúdo das letras, o disco que roda ao contrário (muita gente acreditava nessas histórias na época). O formato do filme também é dentro dos padrões dos filmes de terror dos anos 80. Brinca com a ideia de sobrenatural, adiciona elementos de comédia, apresenta mortes estranhas, garotas nuas e, é claro, o rock n roll como trilha. Ozzy interpreta um pastor que prega contra o rock. Ironia pura. Ozzy foi bem perseguido nessa época, principalmente por fanáticos religiosos.

A trilha do filme ficou a cargo do sempre competente Fastway (quem nunca ouviu nada deles, recomendo começar pelo álbum de estreia) e, conforme esperado, fez um ótimo trabalho.

Claro que essa película é para ser encarada como entretenimento puro. Não busque nada muito filosófico  aqui. Contudo, o filme prende a atenção e diverte. Embora não tenha saído no Brasil, esse material foi lançado em DVD nos EUA e é bem fácil de encontrar na net. Para quem não gosta de levar tudo tão a sério nessa vida, acaba sendo uma bela distração. Fica a dica...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Hole – Grease Your Hips (2015):



Por Davi Pascale

Apresentação do auge da banda é revivida em CD lançado por selo pequeno. Disco traz 2 performances da mesma tour. Qualidade de som varia um pouco.

Live Through This foi lançado poucos dias após a morte de Kurt Cobain, líder do Nirvana e marido de Courtney Love. Inicialmente, o disco sofreu varias criticas. Muitos a acusavam de estar se promovendo em cima da morte do marido, mas logo o tom mudou. A qualidade do material falou mais alto e muitos críticos acabaram se rendendo ao CD. Para quem curte grunge, realmente é um ótimo álbum. Muito bem gravado, canções oscilando momentos calmos com momentos nervosos, refrãos marcantes. Tudo que a moçada gosta, estava ali.

As apresentações foram extraídas justamente dessa turnê. Ou seja, o auge das garotas. Não apenas em relação à discos, mas também em relação à popularidade. Essa foi a fase em que elas mais estiveram presentes na mídia, participando de premiações e com músicas nas rádios e na MTV. O baixo já estava a cargo de Melissa Auf Der Maur, que entrou no meio da turnê substituindo Kristen Pfaff. Para quem não se recorda, a ex-baixista se juntou ao clube dos 27, por conta de uma overdose de heroína. Tecnicamente falando, Melissa sempre foi uma instrumentista muito mais competente. Logo, o nível das apresentações não foi afetado.

São 2 shows que temos aqui. Uma no Hollywood Palladium em 9 de Novembro de 1994. E outra, no Community Theater, exatamente um mês depois. Os 2 shows foram transmitidos por rádio, portanto a qualidade de som é boa. Não é perfeita, impecável, porque esse selo é independente. Isso aqui é meio que um bootleg. Logo, não existe tratamento de som. De todo modo, a primeira apresentação, a qualidade de gravação é um pouco superior. O áudio é mais bem definido.

A banda estava em uma boa fase. Elas nunca foram grandes instrumentistas, mas estavam bem entrosadas e Courtney estava cantando bem (para o gênero, é claro). O show do Hollywood Palladium é um pouco mais pesado e direto. Praticamente som atrás de som com clássicos como “Violet”, “Teenage Whore”, “Asking For It” e “Miss World”. Somente a fraca versão de “Hungry Like The Wolf” (Duran Duran) que era, realmente, dispensável.

O segundo show é um pouco mais descontraído com Courtney Love conversando com a plateia entre as músicas, fazendo suas famosas provocações. O repertório é bom e traz algumas faixas que ficaram de fora do outro show como “Sugar Coma”, “Doll Parts” e “Rockstar” (na capa com o nome de “Olympia”). As performances são honestas, sem nenhum tipo de playback, e possuem bastante garra. 

Infelizmente, o Hole nunca lançou um trabalho ao vivo, nem em CD, nem em DVD, nem em VHS. O que é uma pena, já que Courtney Love sempre foi uma artista de atitude nos palcos. Um registro em vídeo, dessa fase especialmente, seria genial. De todo o modo, o disco serve para saciar um pouco o desejo dos fãs, além de trazer um pouco de nostalgia para quem viveu aquela época. Para quem curte um som mais direto, extremamente bem-vindo.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Plump
      02)   Beautiful Son
      03)   Miss World
      04)   Asking For It
      05)   Hungry Like The Wolf
      06)   Gutless
      07)   Softer, Softest
      08)   I Think That I Would Die
      09)   Credit In The Straight World
      10)   Teenage Whore
      11)   Violet
      12)   Sugar Coma
      13)   Miss World / We Three Kings
      14)   Asking For It
      15)   He Hit Me (And I Felt Like a Kiss) / Best Sunday Dress
      16)   Doll Parts
      17)   Violet
      18)   Olympia (Rockstar) 
      19)   Sugar Coma (Reprise)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Beatles – Eight Days a Week Special Edition (2016):



Por Davi Pascale

Novo documentário dos Beatles resgata imagens de arquivo e apresenta entrevistas inéditas. Longa dá uma boa repassada nos primeiros anos de banda.

Os 4 garotos de Liverpool se aposentaram dos palcos em 1966. Embora tivessem tido alguns contratempos – como a polêmica e mal compreendida declaração de John Lennon de que os Beatles eram mais populares do que Jesus – sua popularidade continuava em alta. Entretanto, a banda já apresentava sinais de desgaste e estavam cansados da falta de estrutura das apresentações.

Em uma época onde retorno não existia, o amplificador mais potente era de 100W e a mesa de som mais moderna tinha 8 canais, apresentar-se em arenas e estádios não era algo muito confortante. Muitas vezes, os músicos não conseguiam sequer ouvir o que estavam tocando. Ringo Starr comenta no filme que quando apresentaram-se no Shea Stadium ficava olhando para o pé dos rapazes para ter uma ideia de que parte das musicas eles estavam. Tocar assim, diante de uma multidão, deve ser, no mínimo, desesperador.

É exatamente esse primeiro período que o filme retrata. Das turnês dos músicos. Desde quando se apresentavam no Cavern Club, passando pela chegada aos EUA até sua apresentação final. Quando resolvem se reunir depois de alguns anos para uma apresentação no topo do edifício de Apple.

Está tudo bem documentado. O inicio de tudo, a explosão da Beatlemania, as entrevistas bem humoradas dos rapazes. Para quem acompanha a banda por um bom tempo, meu caso, nenhuma declaração bombástica, nenhuma novidade fora do comum. Entretanto, o documentário está muito bem montado e acaba agradando.

Há algumas revelações interessantes. Como a da atriz Whoopie Goldberg contando sobre sua experiência em um show dos Beates. No caso, o histórico Shea Stadium. E também dos músicos comentando sobre a vez que se negaram a tocar para uma plateia segregada. “Não tocamos para este tipo de pessoa ou aquele tipo de pessoa. Tocamos para as pessoas”, explica Ringo.

Paul McCartney e Ringo Starr concederam entrevistas exclusivas para o filme. Os falecidos John Lennon e George Harrison tiveram imagens resgatadas de arquivos. A maioria dos fãs já as conhecem, mas dentro da película causam impacto. E também seria uma enorme falha não termos depoimentos dos 2 músicos. Há ainda algumas imagens ao vivo. As musicas não estão inteiras, mas contam com um bom trecho e uma qualidade de imagem muito acima da média.

Essa edição em bluray, que em breve deve estar saindo no Brasil (a minha trouxe dos EUA), conta com um segundo DVD apenas de extras, com mais entrevistas e com 5 musicas ao vivo na integra. Para os fãs, material imprescindível. Dos documentários adicionais, o mais bacana é um que se chama Words And Music onde comentam um pouco mais a fundo sobre como funcionava o processo de composição dos Beatles.

Eight Days a Week é um belo documentário que te ajuda a entender melhor a decisão de pararem de excursionar, te dá um bom panorama do que era o cenário pop da época e de como funcionava a banda na época. Como disse, quem é realmente dedicado à banda, já deve conhecer uns 90% das histórias, mas ainda assim é um material obrigatório. Realmente muito bacana a ideia desse resgate histórico. E que venham mais filmes como esse em um futuro próximo.

Nota: 9,0 / 10,0 
Status: Bem produzido