terça-feira, 17 de outubro de 2017

Robert Plant – Carry Fire (2017):



Por Davi Pascale

O lendário Robert Plant volta a atacar, mais uma vez acompanhando da ótima The Sensational Space Shifters. Seu novo álbum é um trabalho calmo, melancólico, repleto de influências folk, de música indiana, que o cantor tanto gosta, e com um flerte com a eletrônica. Ainda não foi dessa vez que o cantor voltou ao rock pesado. Portanto, se você não está acostumado com os trabalhos mais recentes do músico, vá com calma...

Há quem ache que o cantor amadureceu desde Dreamland. Há quem ache que seus discos se tornaram sem sal desde então. Embora goste dos trabalhos que vem lançando, confesso que ainda gosto mais da sonoridade que praticava em álbuns como Now And Zen e Manic Nirvana. Até por conta de seu glorioso passado, ainda fico esperando momentos mais rock n roll que quase nunca chegam. Sinto falta de encontrar alguns sons no pique de “Hurting Kind” ou “Tall Cool One”, por exemplo.

Um ponto a favor é que Plant soube envelhecer enquanto vocalista. Ele não fica esgoelando a voz para tentar atingir tons que dificilmente conseguiria subir em uma apresentação ao vivo. Ao invés disso, mudou seu estilo de cantar, se mantendo em uma região mais baixa. E nos shows, muda os arranjos das velhas canções. Já faz um tempo que ele vem fazendo isso. E a lógica se mantém por aqui. O trabalho vocal, conforme era de se esperar, está excelente.

Não há dúvidas em relação à qualidade do álbum. Trabalho vocal muito bem feito. Mesmo! Produção impecável, músicos de primeiro time. Contudo, esse é um álbum recomendado para aquelas pessoas que adoram trabalhos como Mighty Rearrenger ou Lullaby... And The Ceaseless Roar. Se esses são seus discos preferidos de Plant, vá sem medo. Não é o meu caso...



O início do CD é, sem dúvidas, onde estão os melhores momentos. “The May Queen” remete à sonoridade praticada em No Quarter (brilhante álbum que realizou ao lado de seu velho parceiro Jimmy Page nos anos 90). “Season´s Song” é uma bonita e cativante balada. “New World” é um dos poucos momentos onde a guitarra dá a tônica da canção. O outro momento onde a guitarra ganha um pouco de destaque é a mediana “Bones of Saints”.

Em “Keep It Hid” e “A Way With Worlds”, o cantor adiciona elementos eletrônicos por trás do arranjo. Não sou contra a modernidade e nem tenho problema com esses tipos de experimentações, mas não gostei do resultado final. Entre as duas, a melancólica “A Way With Worlds” é a melhor.

Outro momento digno de nota é sua versão de “Bluebirds Over The Mountain”, uma velha canção do cantor de rockabilly Ersel Hickey. Uma faixa que, embora tenha sido regravada ao longo dos anos por artistas do calibre de Ritchie Valens e Beach Boys, permaneceu na obscuridade. Não é novidade a admiração do músico pelo som dos anos 50. Quem não se lembra dos Honey Drippers? Foi interessante notar como ele desmontou a canção e transformou em algo totalmente diferente.

Em resumo, Carry Fire é um trabalho bonito, com altos e baixos, mas não me causou essa impressão que a mídia vem pintando, de ser uma obra-prima, de ser o álbum do ano, etc. Um bom disco, que nos sacia a vontade de ouvir algo novo de Plant, que nos pinta um sorriso no rosto em alguns momentos, mas que também nos deixa um gostinho de ‘quero mais’...

Nota: 7,0 / 10,0

Faixas:
      01)   The May Queen
      02)   New World 
      03)   Season´s Song
      04)   Dance With You Tonight
      05)   Carving Up The World Again... A Wall Not a Fence
      06)   A Way With Words
      07)   Carry Fire 
      08)   Bones of Saints
      09)   Keep It Hid
      10)   Bluebirds Over The Mountain
      11)   Heaven Sent

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Foo Fighters – Concrete And Gold (2017):



Por Davi Pascale

A galera do Foo Fighters acaba de soltar um novo álbum de inéditas. O primeiro desde Sonic Highways (2014). Como era de se esperar, a expectativa é enorme. Pelo menos, de minha parte. Considero esses caras uma das melhores bandas que temos atualmente. Não no quesito técnica (embora considere Taylor Hawkins fera), mas no quesito composição.

Algo que sinto falta nas bandas atuais é ter aquela musica que fique na sua cabeça, que do nada você se pega cantando pelos corredores de sua casa. Bandas como Foo Fighters e Pearl Jam têm isso. Dave Grohl pode não ter a melhor voz do planeta Terra, mas é um belo compositor.

Concrete And Gold é um álbum meio que diferente. No álbum anterior, eles receberam algumas críticas onde diziam que o fato de terem gravado o trabalho em diferentes cidades não havia alterado o som da banda. Isso realmente não me incomoda – tanto que adoro bandas como AC/DC, Motorhead e Ramones que atravessaram décadas apostando na mesma fórmula – mas não dá para afirmar a mesma coisa aqui. Sim, algumas faixas vão remeter trabalhos anteriores, mas essa não é a tônica do álbum.

Disco traz participação discreta de Paul McCartney

A parte inicial do álbum conta com uma pegada de rock opera, com faixas interligadas, arranjos mais trabalhados, transbordando influências de Queen, Zeppelin e Beatles. As faixas com a cara mais tradicional do Foo Fighters estão no meio do disco (“La Dee Da”, “Dirty Water” e “Arrows”) e, para ser honesto, são as que menos me empolgaram. Não por serem mais do mesmo – já disse que não me incomodo com isso – mas por serem menos inspiradas mesmo.

O principal diferencial desse CD são os backings. O trabalho de harmonia vocal remete claramente aos 4 rapazes de Liverpool. Não apenas em uma faixa, mas em várias. “Happy Ever After”, “The Sky Is a Neighbourhood” e “Sunday Rain” são grandes exemplos. Essa última, não por acaso, conta com a presença de Paul McCartney na bateria. Realmente muito bacana, mas teria usado o rapaz no contrabaixo – onde ele é mestre – e deixaria ele cantar alguns versos, ao menos. Quem não ler o encarte, corre o risco de não sacar a participação. Esse é um problema das participações desse disco como um todo. Muito foi comentado da participação de Justin Timberlake em “Make It Right”, mas ele só fez um backing vocal. Poderiam terem explorado um pouco mais os convidados, já que se tratam de nomes tão fortes.

De um modo geral, o disco é muito bacana. Como de se esperar, o álbum traz várias faixas muito legais. Ele não se iguala, muito menos supera, álbuns como Wasting Light (2011) ou There Is Nothing Left To Lose (1999), mas também não decepciona. Cumpre a risca de entregar um rock n roll bem feito, empolgante, repleto momentos contagiantes. Quem é fã, pode ir sem medo.

Nota: 8,0 / 10,0
Faixas:

     01)   T-Shirt  
     02)   Run
     03)   Make It Right
     04)   The Sky Is a Neighbourhood
     05)   La Dee Da
     06)   Dirty Water 
     07)   Arrows
     08)   Happy Ever After (Zero Hour)
     09)   Sunday Rain
     10)   The Line
     11)   Concrete And Gold

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Julian Lennon – Saltwater 25 (2016):



Por Davi Pascale

É muito comum vermos filhos de artistas querendo seguir na profissão sem terem herdado o talento de seus pais. Não vou citar nomes, mas a história é bem comum. O mesmo não podemos dizer de Julian Lennon que sempre foi um cantor afinado e possui discos lindíssimos em sua trajetória. Para quem ainda não ligou o nome à pessoa, Julian é filho de John Lennon (Beatles).

Embora esteja na música há um bom tempo, o garoto gravou poucos discos. Esse compacto, que passou batido aqui no Brasil, remete à uma canção gravada originalmente em Help Yourself, seu álbum de 1991. “Saltwater” é uma balada bem beatle. Não é por acaso que Bob Ezrin (produtor do disco) pretendia usar George Harrison no solo dessa música. George negou porque foi justamente no período em que seu amigo Eric Clapton havia perdido seu filho. E ele não queria abandonar o rapaz.

A canção foi um sucesso local. Embora não tenha tido o mesmo êxito em outros países, na Inglaterra, atingiu o sexto lugar das paradas. A letra fala sobre os problemas ambientais e a pobreza encontrada no mundo. “Time is not a friend, ´cause friends we´re out of time”. Em português: “O tempo não é nosso amigo. Amigos, estamos ficando sem tempo” é um dos versos da canção. Agora, vocês já devem estar entendendo a relação de amizade construída entre ele e Bono (U2), né? Os dois têm a mesma visão de mundo...

Talvez seja essa a razão de tê-la regravado 25 anos depois. Os problemas ambientais e sociais permanecem. Em seu website, o musico diz que acredita que dentro desses aspectos, o mundo piorou. “Parece que o mundo está 25 vezes pior do que estava 25 anos atrás, na questão humanitária e ambiental. Espero que em  algumas mentes possam haver grandes transformações, para o bem de todos nós”, diz.


A linha vocal permanece a mesma. O arranjo deu uma mudada. Um pouco mais deprê. Agora a música não inicia mais com o teclado fazendo uma orquestração. A bateria que só entrava na segunda metade da canção, abre a versão atual com uma levada bem arrastada. Embora sejam estilos diferentes de música, o som da bateria me remeteu ao álbum Listen Without Prejudice de George Michael.

Julian Lennon continua remetendo bastante ao seu pai na maneira de cantar. Tanto seu timbre de voz quanto o modo de postar a voz lembram bastante John. O garoto consegue soar mais beatle do que Oasis e Ocean Colour Scene juntos, sem fazer força para isso.

No lado B, temos uma versão alternativa da nova “Saltwater”. Intitulada de “Creo Que Voy a Llorar” trata-se da mesma versão presente no lado A, porém com o músico cantando a frase em espanhol no lugar de “saltwater wells in my eyes”, frase que fecha cada verso da canção.

A balada é lindíssima, assim como o disquinho. Julian prensou o disco em vinil transparente. O preço para nós brasileiros é um pouco salgado – em seu site oficial, é possível encomendar o disco por 25 libras, sem frete – mas para quem é muito fã, compensa o investimento. Além do produto ser muito bonito, ele deve se tornar um ítem de colecionador daqui há alguns anos. Trata-se de uma prensagem independente. Não deve ter sido prensado muitos discos desse. Fica a dica mais do que especial para nossos amigos colecionadores que frequentam essa página.

Nota: 9,0 / 10,0

Faixas:
     01)   Saltwater 25
     02)   Creo Que Voy a Llorar

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Rock in Rio 2017: O Que Conferir Parte 2



Por Davi Pascale

Chegamos à segunda e última semana do Rock in Rio 2017. Dessa vez, voltada para a ala mais roqueira. Semana com vários ótimos shows no Palco Mundo e algumas coisas interessantes no Palco Sunset, mas o que conferir, afinal?

Pois bem... No dia de hoje, três shows me geraram expectativa no Palco Sunset. A cantora Ana Canãs – que migrou da MPB para o rock n roll – faz um show junto com Hyldon. Artista que fez história na soul music brasileira, ao lado de Cassiano e Tim Maia. Pode ser bacana... O grande show do Sunset, contudo, deve ser o histórico encontro de Arthur Brown com Alice Cooper. Vale dar uma espiada também em Tyler Bryant & The Shakedown. Os caras fazem um rock n roll com forte influencia de blues e possuem respeito na cena. No Palco Mundo, o Scalene deve entregar uma apresentação competente, enquanto Def Leppard e Aerosmith não devem deixar pedar sobre pedra.

Amanhã, vale a pena se ligar no encontro entre Ney Matogrosso e a Nação Zumbi que deve entregar um show repleto de brasilidade. No Palco Mundo, 4 shows interessantes. Jota Quest deve entregar um show animado e bem profissional. Alter Bridge é um dos nomes mais interessantes da última geração. Tears For Fears tem uma pegada mais pop, mas um repertório cheio de clássicos, além de serem bem profissionais. Bon Jovi é um dos grandes nomes do hard rock 80´s e embora não conte mais com Richie Sambora, dessa vez, Tico Torres estará nas baquetas. Como já tem um tempo que essa formação está junto, acredito que eles entreguem um show mais impactante do que o da última vez que passaram por aqui.


No dia 23, nada que realmente chame a atenção no Sunset. Contudo, o Palco Mundo apresentará shows muito bacanas também. Os Titãs apresentarão sua nova formação e, honestamente, não sei muito o que esperar. Incubus deve quebrar tudo. Entretanto, os shows que você não pode perder de jeito nenhum é o lendário The Who que pisa pela primeira vez no Brasil. E, é claro, o Guns n´ Roses que conta com Slash e Duff Mckgan de volta à banda. Quem assistiu eles ano passado no Brasil, já com esse lineup, rasgou elogios ao show. Vale ficar ligado.

No último dia de festival, o Sunset não melhora muito. O já tradicional Sepultura irá participar do evento e deve fazer um show profissional como sempre. De resto, nada que me atraia. Republica já se apresentou em outra edição do Rock in Rio e achei eles bem fracos ao vivo. Doctor Pheabes é aquela banda que bate no peito o orgulho de conseguir comprar espaço em tudo quanto é show (os músicos já declararam publicamente o feito), mas musicalmente são fraquérrimos. Já tive o desprazer de assisti-los ao vivo. O convidado deles será o Supla que é um cara do bem, carismático, mas que nunca teve uma grande voz. Por sua conta e risco.

Já no Palco Mundo, teremos mais uma noite interessante. O sempre competente Capital Inicial abre a noite e deve apresentar um caminhão de hits. Os californianos do Offspring devem entregar um show para cima. A noite se encerra com o Red Hot Chili Peppers, uma apresentação onde tudo pode acontecer. Quando assistirem, fiquem ligado na performance do Flea. Tanto no palco, quanto sua performance no instrumento. O cara é absurdo.

Se os boatos se confirmarem, teremos mais polêmicas nessa segunda semana de evento. Sepultura promete colocar Familia Lima no palco (estou rezando para que isso não aconteça) e Jota Quest deixou no ar a possibilidade da funkeira Anitta se juntar à eles para cantarem juntos “Blecaute”. A música é bacana (faz parte do repertório do Jota), mas tenho medo da reação do público se essa mina aparecer no palco. Bom, com ou sem Anitta, espero que tudo ocorra bem e façam um bom show. Agora... é esperar para ver.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Rock In Rio 2017: O Que Conferir Parte 1



Por Davi Pascale

Esta noite se inicia mais uma edição do festival Rock In Rio. Festival que é polêmico, ao mesmo tempo que é de enorme importância. Não vamos nos esquecer que foi graças à edição de 1985 que artistas como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Lulu Santos se consagraram, que o mercado de shows internacionais progrediu da água para o vinho e nem o impacto que ele teve no heavy metal aqui em nossas terras. Várias bandas foram criadas depois que os músicos assistiram aos shows desse evento, sem contar que o mercado para venda de LPs do gênero se intensificou após o festival. Não dá para negar que se trata de um grande evento.

Como não poderia deixar de ser, teremos algumas atrações polêmicas. Principalmente, nessa primeira semana que é mais voltada ao pop. Nessa primeira noite, tivemos uma enorme baixa. A cantora Lady Gaga, nome muito pedido em edições passadas, chegou a cancelar sua apresentação de última hora, graças à um problema de saúde. Há quem diga que foi por conta de sua fibromialgia, há quem diga que a cantora está com lúpus, há quem diga que está com depressão. Seja qual for a razão, o caso é grave. Desejo boa recuperação à moça...

Obviamente, como o caso ocorreu de última hora, não dá tempo para contratar um outro artista. Agendar um show internacional em menos de 24 horas é algo simplesmente impensável. E, sejamos francos, não temos um artista brasileiro para ser utilizado como headliner de um festival dessa magnitude. Não digo por competência e sim, por público. Alguém que mobilize 100.000 pessoas. Não temos um fenômeno desses. Portanto, a ideia de recorrer à uma segunda apresentação de um nome já confirmado, não é má. Aliás, na primeira edição do evento, vários nomes se apresentavam duas vezes. O chato é que será 2 noites seguidas. O ideal seria um show em cada semana, mas como disse, não temos tempo para grandes reformulações.



Nessa primeira noite, vale prestar atenção na apresentação do duo Pet Shop Boys. Embora façam um som eletrônico, a dupla ajudou a definir o gênero, invadindo as rádios na época da house music e criando canções que hoje ganham o status de clássico. No Palco Sunset, vale conferir o encontro da cantora Céu com a banda Boogarins. Show que deve contar com uma grande dose de psicodelia. Também não deixe de assistir o pop contagiante da cantora Fernanda Abreu. A cantora ganhou destaque como backing vocal da Blitz, com quem se apresentou na primeira edição do festival, e se consagrou como artista solo nos anos 90. Ela teve uma sacada interessante. Ao invés de convidar simplesmente um cantor, optou por convidar artistas que ajudariam nos recursos visuais. A galera que assistiu a passagem de som, elogiou bastante. E, claro, vamos aplaudir o Maroon 5 que enfrenta uma enorme bucha.

Na noite de sábado, vale se ligar nos mineiros do Skank que sempre entregaram um trabalho eficiente e shows enérgicos. O Maroon 5 deve entrar com mais segurança, já que o público dessa noite está lá por conta deles. A banda é conhecida por fazer bonito nos palcos. Ao menos uma das noites, vale assistir. No palco Sunset, a Blitz deve levantar a galera com sua alegria costumeira.

Já no domingo, minha grande empolgação está na apresentação da Alicia Keys que apresenta um pop cruzado com R&B, além de ser dona de uma bela voz. O cantor Frejat abre o Palco Mundo. Não sei exatamente o que esperar. Pode entregar um show bem rock n roll (o que, pela escalação do dia, eu duvido), um show mais MPB ou mais pop. Seja qual for sua escolha, pode ter a certeza de que entregará algo profissionalíssimo, já que sempre foi um grande músico e sempre trabalhou com ótimos músicos. Vale uma espiada. No palco Sunset vale ficar ligado na apresentação da Maria Rita. A filha da Elis Regina se apresentará junta com Melody Gardot, revelação do jazz contemporâneo. O repertório deve ser uma homenagem à lendária Ella Fitzgerald. Interessante... Também não dá para deixar de conferir a apresentação de Nile Rodgers & Chic, famoso por fazer uma fusão entre o (verdadeiro) funk e a disco music. Trata-se de um dos nomes mais influentes da área.

Como ficou claro, nessa primeira semana não teremos uma predominância de rock n roll. Contudo, temos alguns shows que prometem serem interessantes. Fica a dica para você que irá acompanhar o evento. Seja indo até o local ou conferindo pelo televisor de sua casa.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Nickelback – Feed The Machine (2017):



Por Davi Pascale

Essa é aquela típica banda que todo mundo ama odiar e nunca consegui entender a razão. Ok, eles não são revolucionários, mas certamente são competentes no que fazem. E sendo bem honesto, os caras possuem bastante discos bons. E esse é mais um deles.

Não havia gostado de No Fixed Adress, onde os músicos tentaram fazer um som mais moderno, mais pop. Achei que eles se perderam. Tinha música que soava como Maroon 5. Nada contra, mas não é isso o que espero do grupo de Chad Kroeger. Não tenho nada contra o cara querer inovar, querer buscar novos ares, mas quando o resultado final não faz sentido, a coisa complica.

Aqui, voltam a entregar um disco consistente e a razão é uma só. Os caras não inventaram moda. Fizeram o que sabem fazer e deu certo. Durante a audição, vocês irão notar que eles continuam trabalhando com a ideia de fazer uma mixagem mais moderna. O grande x da questão é que aqui eles entram como uma costura das canções e não como o foco principal. Dessa vez, a brincadeira funcionou bem.

Os rapazes seguem a risca sua velha fórmula. Entregam um álbum de 11 faixas, com aproximadamente 40 minutos, oscilando canções mais pesadinhas com baladas radiofônicas. Minhas preferidas foram realmente as faixas mais pesadas: “Feed The Machine”, “Coin´ For The Ferryman” e “The Betrayal (Act III)”, para ser mais exato. Outro grande destaque fica por conta de “For The River” que traz um solo inspiradaço de Nuno Bittencourt (Extreme).



Agora... Teve uma parada que não entendi. Eles incluíram no disco “The Betrayal” (Act III)”, “The Betrayal (Act I)” e não incluíram “The Betrayal (Act II)”. Ok, têm vários artistas que começam uma sequencia para terminar depois no trabalho seguinte, mas nunca vi deixarem o meio para depois. E sendo bem honesto, poderiam terem incluído apenas a terceira parte, já que o Act I é absolutamente descartável. Um número instrumental chinfrim que não diz ao que veio.

Logicamente, sendo um álbum do Nickelback e tendo o grau de exposição que eles têm, já era esperada a aparição de algumas faixas mais radiofônicas. Temos algumas por aqui. “Song On Fire”, “After The Rain” e “Every Time We´re Together” são as que aposto para se tornarem hits em um futuro próximo. Dessas mais comerciais, contudo, a que mais curti foi “Silent Majority”, que traz uma sonoridade meio termo e um refrão bacaninha.

Feed The Machine é um trabalho que certamente agradará aos fãs do conjunto. Os músicos se tocaram que as mudanças não haviam agradado e vieram com mais cautela. As composições são bem resolvidas. O disco é bem gravado. A voz de Chad não sofreu mudanças (para quem está por fora, ele passou por uma cirurgia nas cordas vocais recentemente para a retirada de um cisto). Contudo, se você nunca foi com a cara da banda, não será aqui que você mudará de idéia.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Feed The Machine
      02)   Coing For The Ferryman
      03)   Song On Fire
      04)   Must Be Nice
      05)   After The Rain
      06)   For The River
      07)   Home
      08)   The Betrayal (Act III)
      09)   Silent Majority
      10)   Every Time We´re Together
      11)   The Betrayal (Act I)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

G3 – Live In Concert (1997):



Por Davi Pascale

Quem curte musica já se pegou imaginando a banda dos sonhos, o festival dos sonhos e afins. Às vezes, acaba gerando até uma espécie de debate entre amigos ou colegas que também gostam de som. O evento G3 é meio que isso. É como se fosse o show dos sonhos entre os aficionados por guitarra. Foi um sonho que se tornou realidade.

O evento foi criado em 1996 pelo guitarrista Joe Satriani. A ideia é ter sempre 3 grandes guitarristas apresentando composições solo. E no final, eles se unem para uma jam session. Já existiram diversas formações. Já estiveram no Brasil algumas vezes (já tive a oportunidade de conferir um desses shows de perto) e já saíram alguns CD´s desse projeto. Esse que comento hoje foi o primeiro deles.

Qual o meu espanto ao pegar o CD em mãos e notar que já se passaram 20 anos de seu lançamento. Não decidi escrever com intenção de texto comemorativo, foi uma coincidência mesmo, mas incrível notar como o tempo voa.

Na apresentação que assisti, Joe Satriani foi o headliner. Aqui, ele é o responsável por abrir o CD. A escolha do set foi perfeita. Três músicas consideradas clássicos entre seus fãs. Satriani é conhecido por ter conquistado velocidade na técnica de hammer-ons (quando você tem uma nota soando e bate em outra nota utilizando somente a mão que está no braço da guitarra. Ou seja, sem a palheta) e não em palhetadas rápidas e alternadas, que é o mais usual. Obviamente, sua execução é perfeita, assim como dos músicos que o acompanham, seus velhos parceiros Stu Hamm (baixo) e Jeff Campitelli na bateria. O início não poderia ter sido mais perfeito.



Na sequencia, temos Eric Johnson. Por alguma razão, o músico nunca me chamou a atenção suficiente para que mergulhasse de cabeça em sua obra. Sim, o cara toca muito e é mais do que merecida sua participação aqui. No entanto, suas músicas nunca me chamaram a atenção. Entre as três escolhidas, a que mais me agradou foi “Manhattan”. Em “Zap” – música de seu álbum Tones que chegou a ser indicada ao Grammy em 1987 – confesso que fiquei mais fascinado pelo trabalho de bateria Brannen Temple do que pela linha de guitarra propriamente dita.

O último a se apresentar foi o genial Steve Vai, dentre os três é o meu preferido, e o setlist foi matador também. O cara resgatou músicas lá do início de sua carreira. “Answers” e “For The Love Of God” do genial Passion And Warfare e “The Attitude Song”, vindo dos tempos de Flex-Able. Na bateria, estava Mike Mangini, que hoje segura as baquetas do Dream Theater. Bom... dizer que a performance é impecável é chover no molhado.

E no encerramento, o mais legal, os três se unem para relembrar clássicos do rock e do blues. Joe Satriani assume os vocais em “Going Down”, Steve vai ao microfone na hora de relembrar seus tempos ao lado de Frank Zappa em “My Guitar Wants To Kill Your Mama” e Eric Johnson se destaca no clássico “Red House”, som imortalizado por Jimi Hendrix. No lado vocal, Eric Johnson é quem demonstra maior habilidade. Satriani e Vai não fizeram feio, mas não dá para dizer que são bons vocalistas, digamos que seguraram bem a peteca.



Tirando a jam final, todo o restante do material apresentado é instrumental. Portanto, já aviso que, embora excelente, não é um álbum voltado à todo tipo de ouvinte. Mas se você curte instrumental, curte guitarra e adora rock, blues e fusion, diria que é uma audição meio que obrigatória. Fica a dica!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Performance impecável

Faixas:
      01)   Cool Nº9 (Joe Satriani)
      02)   Flying In A Blue Dream (Joe Satriani)
      03)   Summer Song (Joe Satriani)
      04)   Zap (Eric Johnson)
      05)   Manhattan (Eric Johnson)
      06)   Camel´s Night Out (Eric Johnson)
      07)   Answers (Steve Vai)
      08)   For The Love Of God (Steve Vai)
      09)   The Attitude Song (Steve Vai)
      10)   Going Down (Satriani, Johnson e Vai)
      11)   My Guitar Wants To Kill Your Mama (Satriani, Johnson e Vai)
      12)   Red House (Satriani, Johnson e Vai)