quarta-feira, 21 de junho de 2017

Riverdogs – World Gone Mad (2011):



Por Davi Pascale

Acompanho o Vivian Campbell já tem algum tempo, mas só descobri essa banda agora. Os caras soltaram um novo álbum chamado California, que ainda não tive a oportunidade de ouvir, e fui pesquisar sobre. Descobri que o grupo fez sua estreia em 1990, já contando com as guitarras de Campbell e retornaram à ativa com esse EP de 2011, que comento hoje. Assim que ouvir o novo trabalho, escreverei por aqui, mas vamos nos concentrar agora nesse...

Acredito que muitos correrão atrás da banda por conta da participação do famoso guitarrista. Afinal, além de empunhar as guitarras do Def Leppard desde 1992, o rapaz chegou a trabalhar com outros grandes nomes do rock como Thin Lizzy, Dio e Whitesnake. Entretanto, já devo avisá-los: não esperem um trabalho pesado, nem um trabalho guiado por guitarras. Ao menos nesse disco, o trabalho do Riverdogs apresenta um som limpo, bastante melódico, onde o grande destaque acaba sendo o vocalista Rob Lamonthe.

Não conhecia muito o trabalho de Rob. A única referencia que tinha dele eram os vocais de “The River” no álbum solo de Greg Chaisson (Badlands). Gostei muito do seu timbre de voz que me remeteu à bandas como Mr Big e Lynch Mob. Embora não cante tão alto quanto, seu timbre vai meio nessa onda. Aparenta ser um grande vocalista. O baterista Marc Danzeisen ficou conhecido por seu trabalho ao lado de Gilby Clarke (Guns n Roses), já o Nick Brophy sempre foi o cara de frente no Riverdogs.

Esse material teve início em 2003, assim que resolveram retornar à ativa, mas por algum motivo as gravações foram engavetadas e os músicos só voltaram a mexer nesse material 8 anos depois. A única mais pesadinha é justamente a faixa-título. Responsável por abrir o CD, a faixa traz um ar meio moderno e já deixa claro algumas características da banda. Conta com uns backing vocals meio Beatles e um solo de guitarra curto e simples. Características que seguem em todo o álbum.


“Big Steel Town” é bem simpática. Soa como um feliz cruzamento entre Collective Soul e Goo Goo Dolls. “Just a Little Higher” traz os violões guiando a faixa, mas para os fãs do hard rock L.A. (sim, essa banda é de Los Angeles), a que trará maior satisfação será justamente “For You”, quem embora também traga uma mixagem moderna é guiada por um riff meio bluesy. Elemento que os fãs da cena curtem bastante.

Sinto que poderiam deixar Campbell um pouco mais solto. Entendi que a proposta é não ser um grupo exibicionista, o que não considero ruim, mas é de chorar quando ouvimos um solo tão bonito quanto ao que criou em “This Empty Room” terminar tão rápido. Poderiam deixar que o garoto solasse um pouco mais. Bem... Talvez isso aconteça nos shows.

Para quem não está preocupado com esses detalhes e quer apenas ouvir um bom álbum de rock n roll, o disco atende bem o propósito. O material é bem gravado, bem tocado e as músicas são boas. “Glitter Town” traz uma pegada bem rock n roll e conta com um bom refrão. “Best Day of My Life” também é bem interessante. O único senão foi a regravação de “No Matter What” (Badfinger). Certamente, não ficou ruim, mas também não é algo memorável. Serve mais como uma curiosidade mesmo.

World Gone Mad é um trabalho melódico, calmo, moderno, porém muito bem feito. Os arranjos são muito bem resolvidos e, como já deu para sentir, os músicos são de primeira. Vale uma checada...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bem resolvido

Faixas:
      01)   World Gone Mad
      02)   Big Steel Town
      03)   Best Day Of My Life
      04)   Just a Little Higher
      05)   For You
      06)   This Empty Room
      07)   Glitter Town 
      08)   No Matter What

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Rolling Stones – Havana Moon DVD + CD (2016):



Por Davi Pascale

Os The Rolling Stones lançam o registro de mais uma apresentação. É basicamente isso o que temos aqui. A parte de documentário é extremamente curta. Nem chamaria de documentário. Apenas de abertura do vídeo. Algo que dura em torno de 5 minutos e nada mais.

O lance é que os Stones sempre foram bons de palco, possuem um repertório fortíssimo em suas mãos, sem contar que como Cuba não está acostumado a shows de rock, a galera de lá vibra como o público brasileiro costumava vibrar nos shows ocorridos nos anos 80. Lembra da reação da galera no primeiro Rock in Rio? Aquela onda...

O público cubano além de se demonstrar participativo, sabendo várias letras de cor (o que chega a surpreender conhecendo o regime político do país), demonstrava-se alegre. Todos com um sorriso no rosto, dançando, pulando, muitas vezes com os olhos brilhando. A estimativa de quantas pessoas compareceram é tão confusa quanto as estimativas dos participantes nas manifestações aqui do Brasil. Há quem diga que haviam 500.000, há quem diga 700.000, há quem diga 1.200.000. O que é inegável é que o público era enorme. Nas tomadas da cena dá para ver um mar de gente.

A banda não inventou moda. Fez uma apresentação típica dos Stones. Ou seja, alguns poucos lados B (como “All Down The Line” e “You Got The Silver”) e uma tonelada de clássicos. Sim, essas canções já ultrapassaram o status de hits há um bom tempo. A postura de palco é a mesma. Keith Richards com seu jeito desleixado, Charlie Watts de bem com a vida, um Ron Wood meio espalhafatoso e o Mick Jagger dominando o palco como um rockstar cheio de caras e bocas e abusando do rebolado.

A energia da banda é realmente incrível. Charlie, Mick e Keith já passaram dos 70 há alguns anos e continuam com o mesmo pique de 20 anos atrás. Como era de se esperar em um grupo que excursiona há mais de 5 décadas, os rapazes estão super entrosados.



O início com “Jumpin´ Jack Flash” e “It´s Only Rock n Roll” é um tiro certeiro. Nada melhor do que dois clássicos logo de cara para deixar todo mundo animadaço. A produção de palco é grandiosa, mas um pouco menos tecnológica do que as utilizadas em turnês anteriores. Bacana... Algumas surpresas no repertório como a lembrança de “Out of Control” da época de Bridges to Babylon (álbum que trouxe turnê ao Brasil em 1998). Se não me engano, a faixa mais recente do set. Não foram acrescentadas nenhuma de A Bigger Bang, nem de seu álbum de covers.

A banda estava visivelmente feliz. Mick Jagger falava quase todo o tempo em espanhol, a fim de cativar ainda mais a plateia. A balada “Angie” foi recebida calorosamente, assim como o rock “Honky Tonk Women”. O carismático Keith Richards assume o microfone em duas músicas: “You Got The Silver” e “Before They Make Me Run”. Como era de se esperar, os ingleses saem do palco ao som de “Brown Sugar”, antes de retornarem ao bis com “You Can´t Always Get What You Want” e “Satisfaction”.

Nesse pacote lançado no Brasil, temos 3 discos. 2 CD´s e 1 DVD. Ambos com apresentação na íntegra e gravação impecável. Havana Moon traz um show cativante e profissionalíssimo. Sem duvidas, um item indispensável na coleção dos amantes do bom e velho rock ´n´ roll.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
- Jumpin´ Jack Flash
- It´s Only Rock n´Roll (But I Like It)
- Tumbling Dice
- Out of Control
- All Down The Line
- Angie
- Paint it Black
- Honky Tonk Women
- You Got The Silver
- Before They Make Me Run
- Midnight Rambler
- Miss You
- Gimme Shelter
- Start Me Up
- Sympathy For The Devil
- Brown Sugar
- You Can´t Always Get What You Want
- (I Can´t Get No) Satisfaction

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Kaledon – Carnagus: Emperor Of The Darkness (2017):



Por Davi Pascale

Algumas vezes somos surpreendidos. Nunca imaginaria que o blog chegaria até a Italia, mas eis que recebo o material do Kaledon. Uma ótima banda da qual ainda não havia tido muito contato ainda. Só conhecia eles pela participação no tributo ao Manowar, The Triumph of Revenge.

Criada em 1998 pelo guitarrista Alex Mele, o grupo chega agora ao seu décimo álbum, com uma nova formação. O vocalista Michele Guaitoli (Overture, Future Is Tomorrow) e o baterista Manuele di Ascenzo (Secret Rule) fazem sua estreia em disco e, pelo visto, em grande estilo. Na verdade, Michele já havia cantado em “Holy Water” e “Into The Fog”, duas regravações do álbum Twilight Of The Gods que ocorreram em 2015, mas esse é o primeiro disco que canta na íntegra.

Carnagus: Emperor of the Darkness apresenta uma banda forte. Aqui no Brasil, tem de tudo para acontecer. Os garotos apostam em uma sonoridade power metal com bastante presença de sinfônico, uma pegada meio épica. Ou seja, um som bem apreciado entre os headbangers daqui. Por falar nisso, fica uma dica para os colecionadores brasileiros. O baterista Jorg Michael (Stratovarius, Running Wild), músico bem admirado em nosso país, chegou a gravar o terceiro disco dos caras, mas voltaremos ao novo álbum...

O CD abre como “Tenebrae Venture Stunt”, uma daquelas famosas introduções climáticas, com bastante orquestração, que prepara o terreno para anunciar a primeira paulada. Nesse caso, “The Beginning of the Night”. Faixa extremamente forte que conta com todos os elementos que os fãs do gênero apreciam. Linha vocal alta e melódica, bateria com bumbo duplo no talo, quebradas de tempo, duelos de solo entre guitarra e teclado. A linha vocal me trouxe bastante referências de Symphony X.

“Eyes Without a Life” mantém a agressividade com uma pegada bem Helloween. Algo que já fica nítido de cara é que os músicos gostam de explorar bastante as mudanças de andamento e que embora nos versos as guitarras distorcidas falem mais alto do que os teclados, nos solos eles saem de igual pra igual. Característica que é mantida em todo o álbum.

Imagem da formação que gravou o novo disco

Estou meio que descobrindo a banda agora, então é difícil para mim, comparar a atuação dos novos músicos aos anteriores. Contudo, é nítido o talento dos garotos. Michele possui um ótimo domínio vocal, demonstrando versatilidade e facilidade para passear entre regiões baixas e altas. Manuele se sobressai pelo grande domínio de bumbo duplo, algo que pode ser notado tanto nas mudanças de andamentos, quanto nos momentos onde resolve sentar o pé. Alguns ótimos exemplos são faixas como “Talepathic Messages” ou em passagens de “Evil Beheaded”, onde atinge velocidades inimagináveis, não deixando nada a dever aos músicos de metal extremo. Mesmo!

Emperor of Darkness está bem produzido. E embora conte com teclados e orquestrações, a banda não perde a agressividade, o lado mais sombrio. Realidade que pode ser conferida com clareza em “The Two Bailouts”, um dos grandes destaques do disco, que conta com uma pegada mais cadenciada, além de ser dona de um ótimo refrão. “Trapped On The Throne” já volta com a realidade veloz e mais para cima, contando com algumas passagens de guitarra que têm de tudo para se tornarem sing-alongs nos concertos.

Para quem é fã do gênero, especialmente grupos como Rhapsody e Dragonforce, o trabalho é mais do que recomendado. Boa qualidade de gravação, músicos excelentes e repertório extremamente consistente fazem desse um álbum que merece ser conferido pela trupe de headbangers. Aqui no Brasil, eles não são muito manjados, mas o grupo já está na estrada há um bom tempo e possui um grande prestígio. Dê uma checada!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Tenebrae Venture Sunt
      02)   The Beginning of the Night
      03)   Eyes Without Life
      04)   The Evil Witch  
      05)   Dark Reality
      06)   The Two Bailouts
      07)   Trapped On The Throne
      08)   Telepathic Messages
      09)   Evil Beheaded
      10)   The End of the Undead

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Linkin Park – One More Light (2017):



Por Davi Pascale

Há uma diferença entre inovar e se vender. Quando um artista inova, ele traz elementos de outros segmentos para dentro de seu trabalho. Quando tudo é mudado e vai tudo de frente para o que está sendo trabalhado na mídia, não há dúvidas, o cara se vendeu bonito. E é essa sensação que me dá ao ouvir o disco novo do Linkin Park.

Esqueçam as guitarras pesadas, esqueçam os berros, esqueçam as linhas rappers. Nada disso está mais no centro do som da banda californiana. Aliás, muitos desses elementos não estão mais no som do grupo. As linhas rappers de Mike Shinoda, que tanto ajudou a definir o som dos garotos, aparecem agora somente em “Good Goddbye”. O rapaz, inclusive, quase não aparece no álbum. Muitas vezes me dá a sensação de estar ouvindo um trabalho solo do Chester Bennington. Não me surpreenderia receber a notícia de que Shinoda se desligou do grupo.

Evidente que o trabalho possui uma certa qualidade. A qualidade de gravação do álbum, dentro de sua proposta, é perfeita. O problema é a proposta que, certamente, irá incomodar muitos. Aqui, o Linkin Park deixa de ser uma banda de rock para se tornar um conjunto pop. No sentido literário do termo. “Heavy” é uma canção que poderia constar no álbum de uma Katy Perry da vida, sem sofrer nenhuma alteração no arranjo.

As guitarras distorcidas deram espaço à uma guitarra magra, conforme podemos conferir em “Talking to Myself”. Está mais para Thirty Seconds to Mars do que qualquer outra coisa. Boa parte da bateria é eletrônica, como podemos notar em “Battle Symphony” ou em “Halfaway Right”. Aliás, os elementos eletrônicos ditam a sonoridade de todo o álbum.

Sim, é verdade que os elementos eletrônicos sempre se fizeram presentes no som dos garotos, mas nunca em tamanha intensidade e nunca em tamanha modernidade. O Linkin Park foi uma banda que ditou moda, agora eles seguem a moda. O estilo de construção eletrônica presente aqui é a mesma utilizada por artistas pop teen.  One More Light parece querer mais agradar ao publico de balada do que aos rockers. Nada contra, mas uma coisa é uma coisa. E outra coisa é outra coisa.

Como disse, o disco dentro da proposta é bem feito. O refrão de “Sorry For Now” é bem construído, a melodia de “Sharp Edges” também. O trabalho vocal de Chester é bom. Bastante melódico e bem interpretado. Contudo, o som clean demais e a enorme preocupação de estar de braços dados com o que dita a moda, me incomoda um pouco. Na torcida para que em um próximo trabalho, sua pretensão não seja meramente comercial...

Nota: 6,0 / 10,0
Status: Pop além da conta

Faixas:
      01)   Nobody Can Save Me
      02)   Good Goodbye feat. Pusha and Stormzy
      03)   Talking to Myself
      04)   Battle Symphony
      05)   Invisible
      06)   Heavy feat.  Kitara
      07)   Sorry For Now
      08)   Halfway Right
      09)   One More Light
     10)   Sharp Edges

terça-feira, 6 de junho de 2017

Ron Keel´s Fair Game - Beauty And The Beast (2000):


Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock
Em 1991, Ron Keel entrou no estúdio com uma banda formada somente por beldades para criar mais um álbum de hard rock L.A. style. 2 músicas dessa sessão, “Somewhere In The Night” e “Blind Faith” foram utilizadas na trilha sonora de um filme de terror chamado Bad Channels, em 1992. O resto do material ficou perdido até que o selo Metal Mayhem Music decidiu finalmente colocar o disco no mercado em 2000.
“The Spot” abre o álbum demonstrando ser exatamente o que título sugere. Um anúncio de rádio. Embora o disco não tenha sido lançado na época, o grupo fez várias apresentações em pequenas casas. E aqui temos um dos anúncios dessas apresentações, obviamente com várias músicas do Keel por trás, para deixar claro quem estava por trás da parada. Na época, os caras chegaram a conseguir um certo prestígio e emplacaram algumas musicas como “Rock n Roll Animal” e “The Right to Rock” entre os seguidores da cena.
Tina Listo (No Shame), Stephanie Leigh (ThundHerStruck), Janna James (Warbride) e Eva Marie era o time de garotas que completava a banda. Como de se esperar, todas de cabelos volumosos, longos e com visual atraente. Musicalmente, eram competentes, sendo o grande destaque a virtuose Tina Listo que entrega solos que muitos marmanjos não conseguiriam reproduzir.
“Keep It Up” é o primeiro som que me chama a atenção do disco e uma das razões é justamente as frases de guitarra de Tina e Evo que transpiram influencia de Van Halen. Entretanto, mesmo que fossem boas instrumentistas, as meninas não tinham muita liberdade na hora da criação. Apenas Eva conseguiu emplacar uma parceria, a faixa que encerra o álbum “Time Of Your Life”. A maioria das canções são realmente de Ron Keel. É nítido que o cara era o manda chuva. Se bem que em um grupo que leva o nome de Ron Keel´s Fair Game isso não é de causar espanto.
Apenas duas faixas não contam com as mãos de Keel. “Let It Rain” foi composta por Jesse Harms. Tecladista que costumava excursionar com a banda solo de Sammy Hagar e que gravou parte dos teclados do clássico Eat ´Em Smile (David Lee Roth). A outra colaboração externa é uma parceria entre Marc Ferrari (guitarrista do Keel) e Tommy Thayer (na época, conhecido por seu trabalho com o Black n´ Blue e atualmente, segurando as guitarras do Kiss). Dona de um poderoso refrão é facilmente uma das melhores do álbum.


Ron Keel continuava apresentando linhas vocais altas, mas explorava menos os agudos. Continuava dando alguns gritos, mas deixou de insistir naquela lógica de cantar uma musica inteira berrando. “Let It Rain” poderia ter se tornado um hit, assim como “Street of Broken Dreams”, que carrega um ar de Bon Jovi.
Por se tratar de um álbum criado em cima de um material que ficou anos engavetado, o som é bem cru. Os músicos não alteraram o material para seu lançamento. O som era aquela sonoridade bem 80´s. Os teclados são bem sutis, a força motora está no trabalho de guitarra com vários riffs fortes e no trabalho vocal com linhas bem melódicas. O som do Fair Game era mais comercial que o do Keel. Tinha um acento pop maior. A que mais se aproxima do hard/heavy que os caras faziam é justamente a faixa-título.
“Time of My Life” traz uma letra bonita, comentando sobre sua juventude, de como tudo era mais simples e inocente. O arranjo, contudo, poderia ser melhor. Facilmente, a mais fraca do CD. O trabalho de violão é bonito e bem resolvido, mas o arranjo dá a impressão de que em algum momento, a música irá crescer, o que nunca acontece. O refrão poderia ser mais forte também. Em se tratando de baladas, ainda acho “Somewhere In The Night” mais bem resolvida, com uma bela melodia e um solo de guitarra inspiradíssimo.
Infelizmente, esse é um álbum que acabou passando meio batido. Por ter sido lançado em uma época onde o hard rock não estava mais em evidencia, o trabalho de divulgação foi bem fraco. Mesmo entre os fãs do Ron Keel, existe quem nunca ouviu falar da banda. Se tivesse sido lançado na época, certamente teria tido um destaque maior. As músicas são boas, os músicos são competentes, estava tudo certinho. Uma pena! De todo modo, fica a dica para quem curte a cena e não conhece correr atrás. “You got it, the right to rock”!
Nota: 8,5 / 10,0
Status: Hard na veia
Faixas:
  • 01) The Spot
  • 02) Beauty and the Beast
  • 03) Keep It Up
  • 04) Street of Broken Dreams
  • 05) Let It Rain
  • 06) Somewhere In The Night
  • 07) Blind Faith
  • 08) Down n Dirty
  • 09) Time of My Life

sábado, 3 de junho de 2017

Four By Fate - Relentless (2016):

Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock

E lá vamos nós para a criação de mais um supergroup. Parece que virou moda mesmo. Lembro que quando era moleque brincava com alguns colegas de criar bandas imaginarias, o que seria sua banda do sonho. Se fosse hoje, acho que ficaria tentando adivinhar qual seria a próxima reunião. O lado bom é que, muitas vezes, rendem bons trabalhos, mesmo que muitas dessas bandas não se tornem duradouras. Moda ou não, negar a qualidade de trabalhos de grupos como Dead Daisies, Chickenfoot ou Black Country Communion é insanidade. O Dead Daisies, inclusive, foi um dos melhores shows que assisti nos últimos tempos. Outra banda bem bacaninha é o Four By Fate.

A reunião, dessa vez, irá agradar aos fãs de hard rock mais do que tudo. Os fãs de Twisted Sister irão delirar ao saber que o falecido A.J. Pero gravou metade do álbum. Os fãs de Skid Row pularão de alegria ao notar a volta de Rob Affuso aos holofotes. E os fãs de Frehley´s Comet irão babar ao reviverem a reunião de John Regan e Tod Howarth. A trupe é completada pela inclusão do guitarrista de Pat Gasperini (Flywheel).

Contudo, devo alertá-los. Não esperem um álbum com sonoridade festiva. Sim, continuam passeando entre o hard e o heavy, porém com arranjos mais diretos, mais sujos. Embora seja possível pegarmos algumas referências de blues, também não faltam referências de grupos como Alice In Chains, principalmente nas linhas vocais. As guitarras estão bem sujas. A mixagem bem moderna.  Não temos aqui inúmeros teclados e nem refrãos estilo cigarros Hollywood. Uma triste notícia aos fãs de A.J. e Rob é que, apesar de terem realizado um trabalho bem sólido, os caras estão bastante contidos. Portanto, não esperem aqueles bumbos duplo estilo “Slave To The Grind” porque não é essa a pegada.
Os grandes destaques do álbum ficam mesmo pelos trabalhos de guitarra e voz. Ainda que Tod Howarth não tenha mais o alcance que tinha nos tempos em que trabalhava ao lado do Ace Frehley, prova que ainda é um cantor muito acima da média. Um ótimo exemplo é a releitura de “It´s Over Now” (Second Sighting). O arranjo é bem similar à original, só os que teclados (sim, eles existem no disco, embora de forma moderada) estão mais para trás e as guitarras mais pesadas. Ouvi-la me trouxe uma certa nostalgia e me levou de volta aos tempos de infância, cada vez que revirava os discos do Edgard Discos, nas visitas que fazia com o meu pai, lá nos anos 80. Embora muitos critiquem a música, continua considerando belíssima.


O disco conta ainda com mais duas releituras: “These Times Are Hard For Lovers” do repertório de John Waite e o clássico “Rock n Roll Hoochie Koo”, composta por Rick Derringer. Essa última ficou bem legal. Os caras mantiveram o lado blues, a pegada suingada, mas gravaram com uma mixagem mais moderna. Ficou interessante, mas nem só de covers vive Relentless. O Cd conta com 9 faixas autorais.

“Levee Breach” traz uma pegada meia Velvet Revolver. “Follow Me” começa com apenas guitarra e voz, antes de entrar uma sujeira no melhor estilo King´s x. “Moonshine” conta com um riff bluesy e é uma das minhas preferidas ao lado da empolgante “Hangin´ On” e da memorável “On My Own”. “Back In The 80´s” remete aos anos 80 pela linha de voz mais melódica, embora as guitarras continuem com uma timbragem bem moderna. A.J. Pero ficou responsável pelas gravações de “Levee Breach”, “It´s Over Now”, “Follow Me”, “I Give”, “Don´t Know” e “Back In The 80´s”. Estou quase certo que essas foram suas ultimas gravações, portanto, quem era fã do rapaz, tem meio que obrigação de adquirir esse CD já que, meio sem querer, acaba ganhando valor histórico.
O repertório é forte, a audição é bem satisfatória. Musicas pesadinhas e bem resolvidas. Os músicos nem preciso dizer que são incrivelmente competentes. Quem acompanhou a cena sem preconceitos, sabe a qualidade dos músicos envolvidos. Mas como nada é perfeito nesse mundo, os caras pecaram justamente no final do álbum, ao incluírem duas versões de “Amber Waves”, que apesar de contar com um ótimo trabalho vocal, é meio malinha. A versão acústica também é dispensável, já que a versão original é quase acústica. A banda entra por alguns segundos no final da música. Não entendi a razão de uma segunda versão para esse som. De todo modo, o trabalho é bem interessante e acredito que irá satisfazer os fãs do estilo.

Faixas:
01)  These Times Are Hard For Lovers
02)  Moonshine
03)  Hangin´ On
04)  Levee Breach
05)  It´s Over Now
06)  Follow Me
07)  On My Own
08)  I Give
09)  Don´t Know
10)  Back In The 80´s
11)  Rock & Roll Hoochie Koo
12)  Amber Waves
13)  Amber Waves (Acoustic)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Kiko Zambianchi – Sesc Santo Andre (27/05/2017):



Por Davi Pascale

Lá fui eu para mais um showzinho. Dessa vez, do musico Kiko Zambianchi. A galera mais nova é capaz de recordar dele dobrando os violões e as vozes no Acústico MTV do Capital Inicial. A galera mais antiga irá recordar dele nos programas de auditório e trilhas de novela nos anos 80.

Embora seja um bom músico, um bom cantor e um ótimo compositor, a discografia de Kiko Zambianchi é curta. São apenas 5 álbuns de estúdio e um de remixes. O mega-sucesso “Hey Jude” fez com que o cantor se rebelasse e procurasse se afastar da cena por alguns anos. Sua ousada escolha faz com que pague o preço. O músico hoje luta para conseguir colocar seu CD e DVD acústico no mercado. Mesmo sendo contratado por uma grande gravadora (Sony Music). A major diz que o lançamento já ocorreu, já que o álbum está nas plataformas digitais. E uma vez que o publico dele não é um consumidor de Deezer, Spotify e afins, muitos não sabem nem da existência do projeto. O que é uma pena (em breve, irei escrever sobre ele aqui)...

O show no último sábado trouxe algumas surpresas. Uma, a quantidade do publico. Por estar afastado da mídia, acreditava que talvez não lotasse. Entretanto, os ingressos esgotaram-se. A maior surpresa, contudo, foi quando o músico decidiu mudar todo o seu show e entregar aos presentes um show elétrico, em formato de power trio e com uma pegada bem rock n roll. “Esse show era para ser realmente acústico, mas resolvi fazer diferente na ultima hora”, explicou o cantor após as primeiras músicas.

A apresentação tem perto de 90 minutos, mas o repertório é longo, já que suas músicas não são muito compridas. Seu álbum de estreia Choque recebeu bastante destaque e teve diversas músicas executadas como “Jony”, “Choque”, “Rolam As Pedras” e “Primeiros Erros”. Sim, é essa mesma que você está pensando. A música que catapultou o acústico do Capital é, na realidade, um velho hit de Kiko Zambianchi, lançada originalmente em 1985.

Como disse, sua discografia não é longa. Portanto, todos seus álbuns foram lembrados durante o show. Músicas como “Quadro Vivo” e “Norte e Sul” se fazem presentes. Fiquei bem feliz de ter tocado “Tudo é Possível” do CD Disco Novo. Uma faixa que ouvi bastante e que, embora tenha sido faixa de trabalho, mereceria um destaque maior. As músicas na apresentação ganham mais peso. Zambianchi está cantando muito bem, com a voz em dia, bem próxima aos seus discos. Na guitarra, é mais econômico. Toca com segurança, mas faz poucos solos. Os músicos de apoio seguram sua função com competência.

O violão só foi resgatado no momento de recordar “Eu Te Amo Você”, hit da Marina Lima, composta pelo músico. Talvez por não ter gostado do som do instrumento (“não ouvi nada do que toquei”), fez todas as demais canções na guitarra. As que escreveu para o Capital também foram lembradas, como o hit “Mais”, que animou os presentes. E, sim, ele incluiu “Hey Jude” no repertório. “Durante muito tempo, me recusei a tocar essa música. A versão, na verdade, não é minha. Naquela época, o Michael Jackson detinha os direitos das canções dos Beatles e não autorizava versões. Tive que utilizar uma letra que já existia. Só gravei a voz. Fiz especialmente para uma novela. A música tocou tanto que eu não aguentava mais ouvir minha voz, mas agora estou de boa. Afinal, depois da musica do joelhinho, do cotovelinho, do meu pau não sei das quantas, tornou-se um clássico”, brincou o músico, arrancando risos da plateia.

Os fãs saíram bem satisfeitos. A qualidade do show fez, inclusive, com que o publico se esquecesse de um espectador inconveniente, que ficava interrompendo o show à todo momento gritando coisas nonsense. Kiko Zambianchi entregou um show simples, honesto, bem resolvido e deixou seus fãs já ansiosos por seu retorno. Parabéns pelo show, Kiko, e espero que a gravadora mude de ideia e disponibilize seu álbum no formato físico algum dia.