segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Metallica – Hardwired... To Self Destruct (2016):


Atenção: Em 2017, o Riff Virtual deixa de ser diário. A partir de agora, postarei textos às segundas, quartas e sextas. Com isso, terei mais tempo para descobrir coisas novas e também mais tempo para elaborar melhor meus textos. Obrigado pelo apoio de todos vocês!

Por Davi Pascale

Não teria disco melhor para abrir o ano de 2017. Certamente, o novo álbum do Metallica era um dos trabalhos mais aguardados de 2016 e os caras compensaram a espera.

O grupo de Lars Ulrich mudou muito no decorrer dos anos. Iniciou nos anos 80 como um forte representante do thrash bay area. Mais do que um representante, foi um dos fundadores do gênero. Os discos dessa fase são considerados clássicos da cena. Fizeram um trabalho mais heavyrock em Load, um trabalho mais experimental em Lulu... Tal atitude fez com que seus fãs se dividissem ao longo dos anos. Há quem só goste dos anos iniciais, há quem os prefira após a explosão do clássico Black Album. Aqui, devem resgatar alguns velhos fãs.

Na verdade, as palavras Metallica e polêmica sempre andaram de mãos dadas, desde muito antes de ampliarem suas referências, de caírem de pau no napster ou até mesmo de cortarem seus cabelos. Sim, isso foi um escândalo na época. Acredite se quiser, mas teve nego que mandou carta para os músicos pedindo para que deixassem seus cabelos crescerem novamente. Ah... os anos 90!!!! A primeira polêmica que me recordo, contudo, foi na época do And Justice For All! E não foi por conta das linhas de baixo inaudíveis de Jason Newsted. A razão foi que vários fãs os taxaram de traidores do movimento por terem criado um videoclipe para “One”. Parece zoeria, né? É, mas não é...

Hardwired... to Self-Destruct é uma continuação óbvia de Death Magnetic. Ou seja, os músicos buscam inspiração no passado para criarem sua nova sonoridade. Há vários riffs aqui que te recordarão do Metallica dos anos 80. “Moth Into Flame” é um ótimo exemplo. A introdução dela poderia ter sido utilizada tanto pelo Metallica quanto pelo Testament em seus 4 primeiros álbuns. Sim, a banda de Chuck Billy, se inspirava bastante no Metallica na sua fase de ouro (The LegacySouls of Black).

As velhas características do Metallica continuam dando as caras por aqui. Faixas, em sua maioria, com mais de 6 minutos de duração. Os solos de wah-wah do Kirk Hammett, as linhas criativas e eficazes de Lars Ulrich, além do vocal característico de James Hetfield. Segue tudo intacto.

O novo trabalho é duplo, mas não chega a ser tão longo quanto imaginava. São 6 músicas em cada disco. Provavelmente, não quiseram limar 1 musiquinha para conseguirem lançar um álbum simples. Tem muita gente dizendo que no segundo disco, o nível cai drasticamente. Não achei. Talvez, seja mais variado musicalmente, mas não é menos criativo e nem menos impactante.

Entre as músicas mais rápidas, vale destacar o single “Hardwired” com várias referências da fase Kill ´Em All e também a porrada “Spit Out The Bone”. Das mais cadenciadas vale prestar atenção em “ManUnkind”, deve se tornar um clássico daqui uns anos, e “Dream The Bone”, com uma linha vocal bem interessante onde James canta com voz dobrada. Não há espaço aqui para aquelas baladas FM do nível de “Mama Said” ou de “Unforgiven”, portanto as críticas dos detratores devem ser um pouco mais amenas dessa vez.

Como sou muito fã dos caras desde sempre, corri atrás da edição tripla. O que temos por aqui? O terceiro álbum começa com uma versão de estúdio de “Lords of Summer”. Uma das faixas que os músicos testaram nos concertos e que haviam vazado na net, antes do trabalho ser concluído. A música é excelente e traz Lars em um ótimo momento explorando não apenas diferentes andamentos, como fazendo uso de bumbo duplo.

Logo em seguida, entramos nos momentos dos covers. Aparecem por aqui; o bom medley do Dio, a equivocada versão de “When Blind Man Cries” (Deep Purple) – sim, está bem tocada, mas não acho que tenha a cara da banda – além de correta versão de “Remember Tomorrow” (Iron Maiden). Dos covers; o mais interessante é mesmo o medley em homenagem ao baixinho.

Para fechar a seleção final, temos 10 faixas ao vivo. A primeira vez em que executaram o novo single “Hardwired” e 9 clássicos dos primeiros anos de banda com petardos do porte de “Hit The Lights”, “Metal Militia”, “Jump In The Fire”, “Helpless” e “Creeping Death”. Apesar da voz um pouco cansada de Hetfield (ele não me parecia tão seguro nas notas mais altas), a banda estava com um puta gás e a audição é bem satisfatória. Quem cresceu assistindo Furia Metal na MTV ou ouvindo aquela caixa que vinha o EP Garage Dayz ficará emocionado. Uma verdadeira viagem no tempo

Hardwired...To Self Destruct é um discaço que compensa a longa espera de 8 anos (já que eles insistem em dizer que Lulu não é um trabalho do Metallica). Traz excelentes riffs, ótimas composições. Álbum que demonstra o porquê de terem se tornado uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. Um dos grandes álbuns de 2016. Vale Conferir!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:

CD 01:
      01)   Hardwired
      02)   Atlas, Rise
      03)   Now That We´re Dead
      04)   Moth Into Flame
      05)   Dream No More
      06)   Halo on Fire

CD 02:
      01)   Confusion  
      02)   ManUnkind
      03)   Here Comes Revenge
      04)   Am I Savage
      05)   Murder One
      06)   Spit Out The Bone

CD 03:
      01)   Lords of Summer
      02)   Ronnie Rising Medley
      03)   When a Blind Man Cries
      04)   Remeber Tomorrow
      05)   Helpless
      06)   Hit The Lights
      07)   The Four Horsemen
      08)   Ride The Lightning
      09)   Fade To Black
      10)   Jump In The Fire
      11)   For Whom The Bell Tolls
      12)   Creeping Death
      13)   Metal Militia 
      14)   Hardwired